O tarot é uma prática antiga que continua extremamente presente na sociedade portuguesa. Apesar de vivermos numa era marcada pela tecnologia, pela ciência e pela informação imediata, milhares de portugueses continuam a procurar leituras de tarot para obter orientação, clareza emocional e respostas para questões pessoais. Este fenómeno levanta uma questão interessante: porque é que o tarot mantém e até reforça a sua popularidade em Portugal?
O que é o Tarot e como funciona
O tarot é um sistema simbólico composto por um baralho de 78 cartas, tradicionalmente dividido em Arcanos Maiores e Arcanos Menores. Cada carta representa arquétipos, situações da vida, emoções, desafios e potenciais caminhos. Ao contrário da ideia simplista de “prever o futuro”, o tarot é utilizado maioritariamente como uma ferramenta de interpretação e reflexão.
Numa leitura de tarot, o consulente coloca uma questão ou define uma área da sua vida que deseja compreender melhor como relacionamentos, trabalho, decisões pessoais ou estados emocionais. O tarólogo interpreta as cartas de acordo com a sua posição, relação entre si e contexto da pergunta, ajudando a construir uma narrativa coerente e significativa.
Enquadramento histórico
O tarot surgiu na Europa no século XV, inicialmente como um jogo de cartas. Só mais tarde passou a ser associado a práticas esotéricas e espirituais. Ao longo dos séculos, foi integrado em tradições simbólicas, filosóficas e psicológicas, tornando-se uma ferramenta de leitura do inconsciente e dos ciclos da vida.
Em Portugal, práticas espirituais e crenças populares sempre fizeram parte do tecido cultural. Desde rezas tradicionais a curandeiros, passando por superstições e rituais familiares, existe uma relação histórica com o invisível e o simbólico. O tarot surge, assim, como uma extensão natural dessa herança cultural.
Porque é que o tarot é tão procurado em Portugal
Os portugueses são frequentemente descritos como reservados no que toca à expressão emocional. Nem sempre é fácil falar abertamente sobre medos, inseguranças ou dilemas pessoais com amigos ou família. O tarot oferece um espaço seguro, neutro e sem julgamento, onde o consulente pode falar livremente sobre si.
Procura de orientação em momentos de incerteza
Crises pessoais, dúvidas amorosas, decisões profissionais ou fases de transição são momentos em que muitas pessoas procuram respostas. O tarot não oferece soluções fechadas, mas ajuda a organizar pensamentos, validar sentimentos e clarificar possibilidades. Para muitos portugueses, essa orientação simbólica é reconfortante.
Forte tradição espiritual e simbólica
Mesmo num país maioritariamente católico, existe uma convivência natural com práticas espirituais paralelas. O tarot não é visto, por grande parte da população, como algo incompatível com outras crenças, mas sim como uma ferramenta complementar de reflexão pessoal.
Acesso facilitado através da internet
Nos últimos anos, o crescimento das consultas de tarot online teve um impacto significativo. Leituras por videochamada, telefone ou mensagens tornaram o serviço mais acessível, discreto e conveniente. Isto permitiu que mais pessoas experimentassem o tarot sem exposição social.
Tarot e psicologia: uma ligação subtil
Embora não substitua acompanhamento psicológico, o tarot trabalha com arquétipos universais e narrativas que ajudam o consulente a reconhecer padrões internos. Muitas pessoas utilizam o tarot como ponto de partida para compreender emoções reprimidas, conflitos internos ou bloqueios pessoais. A leitura das cartas funciona, muitas vezes, como um espelho simbólico da mente do próprio consulente, permitindo insights que dificilmente surgiriam numa conversa comum.
O papel do tarólogo
Em Portugal, a relação entre tarólogo e consulente é baseada na confiança. Um bom profissional não promete certezas absolutas nem dependência emocional. Pelo contrário, incentiva a autonomia, a reflexão crítica e a responsabilidade pessoal.
A experiência, sensibilidade e ética do tarólogo são fatores decisivos para a qualidade da consulta, sendo este um dos motivos pelos quais muitos portugueses recorrem sempre aos mesmos profissionais.
O tarot na sociedade portuguesa atual
Atualmente, o tarot deixou de ser um tema marginal. Está presente em redes sociais, eventos, workshops, feiras holísticas e plataformas digitais. Jovens adultos, profissionais liberais e até empresários recorrem ao tarot como ferramenta de reflexão estratégica e emocional.
Esta normalização contribuiu para reduzir o estigma associado à prática, tornando-a socialmente mais aceite.











